sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

O vigia do vigia.


João casou-se com Maria e teve três filhos, estes filhos também casaram e procriaram. A terra estava habitada por vários descendentes de João e Maria e as relações entre entes homens ficaram complexas, daí necessitou-se da criação de algo que regulasse estas relações, bem como seus conflitos.
Criaram uma ficção, uma esquizofrenia em massa. A isto deu-se o nome de estado.
A princípio esta ficção criada por seus criadores, os próprios homens, teria a função de zelar pelo interesse público e promover uma convivência pacífica.
O homem criou o estado mas ficou de fora, ou seja, não quis se comprometer.
O duelo começou: como conciliar os interesses próprios daqueles que, ao menos teoricamente, estavam fazendo parte do estado, os governantes, com o bem estar de todos, os governados? Quem são os governantes e os governados?
A ficção até hoje existe.
Há como visualizar e relacionar com pessoas, mas com o estado é impossível. Agora ele é mero escudo de uma classe opressiva sobre uma oprimida. É mera transferência da frustração dos filhos de João e Maria, de uma sociedade primata que é regida pelas leis da selva mas, agora, de forma mais sofisticada.
Esperar do estado? O que está dentro do estado também espera do estado que regula o estado. O guarda do guarda que guarda o guarda.
O caos continua, e a débil calma vem da ilusão que existe um estado.

quinta-feira, 13 de janeiro de 2011

Número.


Ao nascer, recebe-se um número que está na certidão de nascimento. Quando se vive há números: de identificação pessoal, para ser tributado, para viajar e, finalmente, quando se morre, há o número de óbito.
Ao ser educado, dá-se o número da aprendizagem.
Ao receber pelo fruto do suor do rosto, dá-se um papel com um número.
Número, número, número, você é o grande vilão da história e da queda da humanidade.
Pelo número, vende-se os princípios fundamentais.
Pelo número, agride-se a natureza.
Nós te servimos número!
Há até aqueles que tem na cabeça um número de quem vai entrar no céu.
Número! Você nos automatiza! Você vende nossas almas a um preço de pão de ló.
O número nos faz simular e dissimular.
Tempo marcado pelo número.
Anos de vida marcados pelo número.
Promessas feitas pelo número do tempo.
Vivemos pelo número, por número, em número, com número, de número, pelo número e não há artigos e preposições suficientes para usar com o número.
Um dia quero viver sem número. Quero me livrar deste fogo consumidor que me apressa, me deprime e alimenta minha ilusão.
Ilusão porque o número não existe. É um meio pelo qual o homem sente-se encontrado, ordenado e fixado. A eterna necessidade de etiquetar as coisas e de rotular tudo. Pitágoras foi um gênio da lâmpada de aladim, mas o gênio cobrou caro pelo pedido do homem!
Autor: Victor Dias Teixeira.

domingo, 19 de dezembro de 2010

De dentro para fora.

Há a eterna briga entre o corpo e o espírito. O corpo quer o conforto e o esforço mínimo. Ele necessita agir desta forma para sobreviver, entretanto mesmo quando não pratico os vícios, os pecados, não os deixo de os sentir. Estes sentimentos, levados pelos vícios, tornam-se a raiz de todas práticas que levam aos pecados, hoje chamados capitais, mas que sempre foram os mesmos.
Os pecados capitais receberam este nome para ficarem mais próximos da vida moderna, mas são os mesmos que nutrem todos os pensamentos e atitudes do ser humano animal, desde a antiguidade.
O que posso domar é não exteriorizar a ação que quer fluir levada por um vício, entretanto, tais vícios vêem ao longo da história e acompanham todos.
Os vícios são inerentes da uma carne corrompida e, também, bem próximos de nossos irmãos chamados seres irracionais. Talvez, eles não pequem, não praticam os vícios, por não terem consciência do "bem e do mal". Eis aí o pecado original. Nada mais é do que cobrir a vergonha, cobrir a nudez. A nudez é a triste constatação que enquanto seres humanos estaremos sempre nutridos por sentimentos, vontades que provocam vícios, pecados.
A ascensão a um plano superior é gratuita, e não é privilégio de ninguém. Prepotentes os que pensam que podem se libertar dos vícios, pecados, por esforço próprio. Nada mais fazem do que um mero controle. Por todo o tempo tempo só tentam domar esta força que flui naturalmente do corpo humano.
Vamos nos render. Render-se faz bem. Isto nos leva a verdadeira salvação.
Autor: Victor Dias Teixeira.

Padronização


Verdade é aquilo que é estabelecido como parâmetro mais próximo ou mais preciso de um paradigma criado.
Por isso há facções. Cada membro acha parceiros mais próximos do que acha como o padrão de felicidade e de comportamento normal para sua vida.
Por isso há divisões e cada divisão somada gera um total que nunca se chega a um fim. Isso gera a infinidade parente da infinitude; o meio parente do que falta para ser completado.
Autor: Victor Dias Teixeira.

Chegar onde ?


Será que chegaremos lá com: tantos feriados; Brasil patrocinar a Copa do Mundo e deixar seus filhos sem escola e saúde; a política do Pão e Circo (Jogo, Pinga e Bolsa Família-Fome Zero) escancarada aos olhos dos mais informados e que ao mesmo tempo anestesia aqueles que não conseguem ver seu efeito "pacificador"; o C R A C K destruindo a sociedade e dando alegria química compulsiva; o Governo emprestando dinheiro para o FMI e comprando aviões de guerra; cada brasileiro cuidando do banheiro da sua casa e não dando descarga, coisa simples, nos banheiros públicos; "rebolation" estourando nas paradas; o encontro do lixo no luxo; o uso do carro de cada cidadão brasileiro e o investimento precário em transporte público; o cartel da gasolina e do etanol; a carne moída nos hospitais públicos e postos de saúde; a construção de caixotes-prédios urbanos, criando saunas públicas (o negócio é vender e lucrar); a insistência de usar dos templos religiosos para fabricar dinheiro- Amway e Herbalife santas; a teoria da prosperidade do protestantismo- Deus é dono do ouro e da prata: então pega um pedaço!; a descoberta rápida da vacina da gripe H1N1 e o "empurra com a barriga" para a Dengue- doença de pobre mas do moquito que voa; a troca de valores onde quem tem é melhor de quem é; a elite burocrata nas universidades públicas e os marginalizados pagando as particulares, e o conluio dos reitores e professores a este sistema; a eterna subjetividade e abstração do brasileiro "carnalizada" nas sessões improdutivas do Legislativo; a rede Globo alienando com suas novelas toscas e seus jornais sensacionalistas; a Record, que no início dizia ser de uma Igreja que tirava demônio do corpo das pessoas, e que agora simplesmente repete a progamação da TV Globo; a comilança da vaca e do frango e os shows "bárbaros" dos rodeios; a invasão do mercado imobiliário inescrupuloso expulsando a pobreza e vendendo condomínios de luxo?
Chegar aonde? Num critério de felicidade baseado numa aferição de qualidade de vida baseada no materialismo?
Onde? Aonde? Ande, ande, ande e chegue lá! Mas onde está o lá? O lá não é aqui? O amanhã não é mera abstração do fracasso do hoje?

Autor: Victor Dias Teixeira.

Sem conexão.


Acordo, abro os olhos, respiro, tenho todas as funções vitais. Meu corpo não precisa de água e nem de comida. Não há o medo pois não há a morte. Ela e o dinheiro se foram. Estou independente. Se não preciso do dinheiro e não tenho medo da morte estou livre. Nada mais me prende.
Ao mesmo tempo estou perdido e preso pois as coisas malditas que me motivam se foram. A condição imposta já não existe. Meus critérios de luta por um objetivo já não existem. Estes foram baseados em fatos irreais, em ilusões, em coisas passageiras.
O estabelecido como verdade foi criado. Os criadores também se foram. Não há como acreditar mais na verdade, no real. Os seus criadores os deixaram. Não há mais a fonte que os alimentam.
O bem já não precisa ser inimigo do mal. Não há o dinheiro. Não há a troca. Como consequência não há a motivação.
Alma perdida, alma livre.
A condição não mais se impõe.
Autor: Victor Dias Teixeira.

As bruxas noés!


Havia um planeta distante habitado por bruxas. Elas eram entretidas em fazer maldades. Elas eram más por vocação e nada as faziam mudar o sentido de suas vidas.
Um dia uma bruxa aventureira, chamada Tristana, decidiu visitar o planeta terra, e foi nas vésperas do Natal. Ao voltar para seu planeta, a bruxinha, contou todas as espécies de acontecimentos e pensamentos do planeta terra nas vésperas do Natal.
Ela contou que havia um tal de Papai Noel que conseguia ser bem mais esperto do que elas. Todas com cara de espanto indagaram a pequena bruxa: - Como pode existir uma pessoa mais má do que nós?!
Ela explicou: - Ah, todos nós sabemos de nossas maldades, bem como os habitantes de nosso planeta. Mas a figura do velhinho lá é astuta. Ela usa estratégias bem mais complexas, maquiavélicas, manipuladoras e bem pensadas.
Todas perplexas, indagaram: - Mas como assim?
Continuou a bruxinha: -Bom, ela é passada como o símbolo da felicidade, da generosidade e da inocência. Entretanto, por trás dela há homens perversos que fazem parte da engrenagem de um sistema de ilusão e escravidão. Ela ilude as pessoas falando que distribui presentes para crianças. Engana duas vezes. Primeiro nem todas as crianças recebem presentes, e, depois, as que recebem logo enjoam dos presentes e caem novamente na monotonia e na tristeza que habitam naquele mundo.
Todas bruxas eufóricas diziam, murmuravam: -Nossa, precisamos conhecer este homem, este papai noel!
Tristana, logo respondeu: -Ah, não há necessidade de conhecer o velhinho, coitado! Precisamos conhecer os patrões do velhinho. Como já disse, ele só é uma peça de um sistema de maldade bem mais complexo!Aliás, ele também é descartável, como os presentes, as alegrias momentâneas e tudo mais. Acreditam que pegam um velhinho lá e o fantasiam desta figura de noél. Todavia, no final da festa pagam "merreca" para o coitado, e, ele volta cansado,usado e, também, alimentado por uma alegria temporária e limitada para sua casa.
Todas as bruxas:-Nossa, que máximo de maldade! Que sistema perfeito.
Tristana, a bruxinha, com semblante baixo, rebate: - Ah, eu estou triste! Nós somos más por vocação, somos autênticas. Agora, lá as pessoas não podem escolher em serem boas ou más! Perdeu o sentido para mim até em ser má! E eu não sei mais diferenciar: figura e velhinho,
Houve um silêncio eterno entre as bruxas.
Autor: Victor Dias Teixeira.